Friday, January 12, 2007

Ricardo Nascimento vai à Coreia para rescindir

É ponto assente: o médio-ofensivo Ricardo Nascimento, anunciado como reforço em finais de Dezembro, não vai jogar na recepão ao campeão FC Porto. Sem eco das mensagens enviadas para o FC Seul, o estratega está na iminência de viajar novamente para a Coreia do Sul, a fim de concluir o processo de rescisão e acelerar a documentação para poder ser inscrito. Enquanto não viaja, Ricardo Nascimento tem cuidado do físico e ontem fez trabalho de ginásio. O regresso à Coreia do Sul permitir-lhe-á também trazer alguns haveres pessoais que deixou na capital sul-coreana.

Wednesday, January 03, 2007

Certificado “atrasa” Ricardo Nascimento

Ricardo Nascimento chegou atrasado ao treino de ontem em virtude de ter estado a tratar de assuntos relacionados com o seu certificado internacional. O futebolista e os responsáveis do Aves estão a tentar desbloquear o mais rapidamente possível a situação, mas é pouco provável que consigam até ao próximo fim-de-semana, altura em que o Aves defronta a Oliveirense, para a Taça de Portugal. Assim, se tudo correr dentro do previsto, o reforço avense vai estrear-se apenas contra o FC Porto.
Passavam 40 minutos das 15 horas quando o futebolista subiu ao relvado. Aqueceu sozinho e esteve a conversar com o treinador, explicando o que se tinha passado, uma vez que já tinha telefonado a dizer que iria chegar atrasado. Sem qualquer problema, o médio integrou o apronto, tudo apontando que as razões invocadas impeçam que seja multado.
À margem destas questões, Neca ministrou um treino de aproximadamente duas horas que começou a ser preparado no balneário, nuam conversa com os pupilos. Com quase todo o plantel disponível – Xano foi o único que fez treino condicionado –, Neca privilegiou o passe e a vertente física durante a primeira hora do treino, complementando a sessão com uma peladinha.

Thursday, December 28, 2006

Prepara-te Portugal, o grande Rixa está de volta!!!!


Ainda não teve oportunidade de tocar na bola – só o fará no treino de hoje – mas Ricardo Nascimento já respirou o ar das Aves. É a sua terceira passagem pelo clube (as outras foram em 95/96 e 98/99) e as recordações são tão boas que o convenceram a ser feliz mais uma vez.
“Conheço muito bem o Aves e fui acompanhando a sua evolução ao longo da época através da internet enquanto estava na Coreia. Tem bons jogadores, entre eles o Sérgio Nunes, meu amigo de infância. E dá todas as condições para trabalhar bem. Sinto-me em casa. O Aves é um clube à minha imagem: é diferente de todos os outros”, explicou o primeiro reforço de Inverno dos nortenhos.

Tuesday, December 26, 2006

Palavra de Rixa: “Não venho passar férias”

Tinha acabado de assinar contrato com o Aves e, de imediato, subiu ao relvado. Nessa altura teve oportunidade de cumprimentar os seus novos companheiros, bem como conversar durante breves instantes com o treinador. Sempre com um sorriso, Ricardo Nascimento fez um balanço rápido da sua experiência na Coreia do Sul e traçou as directrizes daquilo que espera fazer com a camisola do Aves.

Como é voltar a um clube que conhece bem, depois de ter estado no estrangeiro cerca de dois anos?
Sinto uma alegria muito grande por voltar a encontrar estas pessoas, apesar da situação adversa que o clube está a passar. Mas o que conta é aquilo que gosto e sei fazer, que é ganhar jogos de futebol. É para isso que aqui estou. Vamos a ver se com a ajuda de toda a gente me consigo impor e ajudar a equipa a cumprir os seus objectivos.

Está preparado para o que lhe vai ser exigido?
Estou apto para corresponder ao que esperam de mim. Não venho para o Aves para passar férias. Vou tentar, dentro das minhas limitações, fazer tudo para deixar este clube no lugar que merece. Acho que o importante não é o Ricardo estar bem, mas sim a equipa estar bem. Sou mais um elemento para ajudar.

Como analisa a experiência na Coreia do Sul?
Foi tudo muito bom.

Quais os motivos que originaram o regresso ao futebol português?
Essencialmente saudades. Ainda hoje [ontem] me ligaram a dizer que querem que volte para lá. Mas a necessidade que sinto de estar junto às pessoas de quem gosto fala mais alto.

Como analisa o futebol e cultura da Coreia?
É muito diferente e infelizmente tenho que dizer que é diferente para melhor.

Aprendeu com a estadia num futebol completamente diferente?
Em termos de futebol não aprendi muito, pois eles ainda têm algumas deficiências, embora tivesse companheiros com um vastíssimo currículo. Aprendi o lado bom do futebol: ser internacional, ser admirado e ter, como se costuma dizer, o mundo aos meus pés. É muito fácil jogar futebol numa equipa assim.

P | Acompanhou o campeonato português e todos os casos que foram surgindo. Que lhe apraz dizer na hora do regresso?
R | A primeira coisa que me deixa muito contente é que o melhor jogador do campeonato nacional é português e se chama Quaresma. Depois continuam as velhas situações das confusões em redor do dirigismo, que nada dignificam o futebol. Como jogador, importa realçar que temos um país fantástico, jogadores muito bons e não deve custar muito abandonar determinados interesses e atitudes para tornar mais forte o nosso futebol.

P | Que número vai usar?
R | O 10, mas isso não é importante. Não são os números que fazem os jogadores, mas sim os jogadores que fazem os números.

Ricardo Nascimento pôs o preto no branco nas Aves

Ricardo Nascimento oficializou ontem o vínculo com o Aves, colocando um ponto final no acordo que já tinha sido conseguido há alguns dias. O médio, que actuou nos últimos dois anos na Coreia do Sul, chegou ontem ao estádio do Aves às 14h30, onde o aguardavam o presidente do clube, Joaquim Pereira, e o presidente-adjunto, António Freitas. Cerca de 20 minutos depois, tudo estava concluído e o futebolista subiu ao relvado para um primeiro contacto com os companheiros, que iam começar a treinar e, também, para trocar algumas palavras com o técnico, professor Neca.
Há cerca de 10 dias sem treinar, o médio começa hoje a preparação, tudo apontando que seja já opção para a recepção ao FC Porto, agendada para o próximo dia 14. Ricardo Nascimento rubricou um contrato que contempla várias situações, como o aparecimento de um convite para o estrangeiro ou a eventual despromoção dos avenses. Certo é que o atleta vai permanecer ao serviço do Aves, que já representou por duas vezes, até ao final da época.
O futebolista, em quem os responsáveis do clube depositam uma grande esperança na contribuição para a manutenção, vai envergar o número 10, normalmente a camisola dos “maestros” das equipas, afinal aquilo que Neca espera do seu novo pupilo.
Esta foi a primeira contratação do clube avense no mercado de Inverno, que ontem conseguiu igualmente garantir o concurso de Matheus, jogador do Braga. Fora de hipóteses está Vieirinha – o FC Porto não liberta o jogador -, mas poderá ser no Dragão que os responsáveis do Aves consigam pescar alguns reforços. O guarda-redes Bruno Vale parece ser o que está mais próximo, mas um avançado poderá também vir a ser cedido ao clube avense.

Friday, June 09, 2006

Paulo César pode voltar a ser companheiro de Rixa


Os sul-coreanos do FC Seoul estão interessados na contratação do avançado da U. Leiria Paulo César. O jogador, que na temporada 2004/05 se transferiu do Rio Ave para os leirienses, já constava na lista de possíveis aquisições dos asiáticos desde o final da anterior temporada, mas o bom campeonato realizado pela equipa do Lis aumentou o interesse na sua aquisição.
O avançado, que marcou 7 golos na última época, tem ainda mais 2 anos de contrato, mas uma boa proposta pode convencer a administração da SAD leiriense a vender o atleta.
O FC Seoul está também interessado em adquirir o passe do defesa Gabriel. Os coreanos devem fazer chegar uma proposta à U. Leiria nos próximos dias. O jogador é ainda cobiçado por um clube suíço.

Thursday, June 08, 2006

O craque na primeira pessoa...

Este blog e feito porque há pessoas que existem no subconsciente das outras, mas nunca seria possível se não fosse o meu grande amigo mentor da escrita Vítor...

(Re)Nascimento de um rebelde

Reportagem publicada na Revista Record DEZ

Nasceu seis dias antes da revolução dos cravos. Viveu o 25 de Abril na baixa portuense, embrulhado num xaile vermelho. Aos 30 anos, já defendeu muitas causas, muitos clubes, mas continua rebelde. Ricardo Nascimento encontrou em Vila do Conde um porto seguro para renascer no futebol
“Sou bom naquilo que faço”, vinca com confiança. Uma convicção que Ricardo Nascimento não perdeu mesmo quando penou durante duas épocas na Liga de Honra. Em Vila do Conde, ninguém duvida de que se trata de uma aposta ganha. O talentoso médio, que um dia foi considerado o “Platini do Mar”, está alegre como nunca. Parece jovem em período de afirmação. Acredita que pode dar um salto qualitativo. Para isso, até se mostra disponível a aceitar propostas de empresários que pretendam representá-lo, dois anos após o último contacto de Manuel Barbosa. Quer agarrar o pedaço de grande carreira que ainda lhe resta. Pelo seu desempenho em campo, torna-se sério o risco de também não assentar arraiais no actual clube, dado que assinou somente por uma temporada. Mas, ao fim e ao cabo, essa é a história da sua vida. Como atleta profissional, representou dez emblemas, e nunca começou uma temporada no mesmo clube onde terminou a anterior. Um percurso de desencontros, de incompreensões. De muito talento desperdiçado, pelo meio de peripécias arrepiantes, e pautado por permanente polémica. Doze anos depois, com mais tristezas que alegrias na memória, parece que Ricardo Nascimento pode finalmente concentrar-se naquele que é o seu verdadeiro dom, jogar futebol, e deixando uma declaração de princípios estimulante: “Este ano estou com muita convicção. Com a ajuda de todos, acredito que vou conseguir fazer a melhor época da minha vida. Estou com uma forma mental muito grande. Quando tenho a sorte de entrar num balneário onde as pessoas são espectaculares, ainda mais fácil se torna. Acordo todos os dias cheio de vontade de vir treinar, coisa que já não se passava há muito tempo na minha carreira”.

Leixões: 1992/94
O nome de Ricardo Nascimento começou a ser conhecido pelas suas prestações no clube de Matosinhos, que começou a representar enquanto juvenil. “Fiz uma última época de júnior muito boa”, refere, recordando os 31 golos que apontou e vincando: “Era uma equipa especial e ficámos amigos para toda a vida”. A passagem para os seniores é que não foi fácil. “A grande diferença residiu no facto de começar a privar com homens casados, com responsabilidades. Até ali, convivia com miúdos e não tinha de me preocupar com nada”, explica. A partir da chegada de Nicolau Vaqueiro, Nascimento começou “a jogar sempre”, a dar nas vistas, e acabou por ser natural a assinatura de um contrato com o Boavista. O início de uma relação sentimental difícil com o clube do Bessa que ainda hoje, mesmo à distância, vai perdurando. Após o estágio de pré-temporada, foi emprestado ao Leixões para continuar a adquirir rodagem, mas teve azar: “Andei seis meses limitado por uma pubalgia”.

Boavista: 1994/95, 1996/97
O resumo da carreira de Ricardo Nascimento no Boavista faz-se através da inconfidência de um amigo axadrezado, que o abraçou antes do recente jogo que fez no Bessa com a camisola do Rio Ave, e no qual foi submetido a marcação individual directa. “Ó Ricardo, tu devias, em certas alturas, ter dito que sim aos treinadores. E se calhar a tua carreira no Boavista tinha sido completamente diferente”. O craque ouviu, registou, mas o seu “espírito de contradição” continua a levar a melhor. “Sou do contra”, reconhece, mas clarificando: “Nunca fui junto de um presidente exigir a saída de ninguém. E já me fizeram isso. Se me disserem que temos de correr duas voltas, mas como quisermos, então eu corro três. É uma questão de feitio”.
Quando finalmente estava disposto a impor-se no Bessa, tendo recebido um voto de confiança de Manuel José, o infortúnio voltou a bater-lhe à porta. “Parti o pé em jogo de preparação contra o Sporting. Fiquei um mês de tal de gesso. Foi aí que perdi o comboio. Foi uma época muito infeliz”, admite. Quando regressou ao Boavista para ficar, em 1996/97, parecia lançado para uma grande carreira com João Alves ao leme, mas este saiu após desentendimentos com os associados. Com Mário Reis, a sorte voltou a mudar. Para pior. Apesar de ter conquistado o único título da sua carreira, a Taça de Portugal. Na memória ficou mais um episódio caricato: “No último jogo, com o Sporting, entrei com a equipa a perder e demos a volta ao marcador. No final, Mário Reis disse-me que eu entrei porque tinha estado um sócio durante toda a primeira parte, com um megafone, a pedir a entrada do Latapy. Ele, como era teimoso, decidiu meter-me a mim…”

Desportivo das Aves: 1995/96 e 1998/99
A primeira época no Desportivo das Aves é qualificada como “inesquecível” por Ricardo Nascimento. “Encontrei lá uma equipa fantástica. Era eu, o Martelinho, Paulo Vida e o Tubia”, recorda. Como queria jogar futebol, Ricardo baixou o seu vencimento e não se arrepende. “Não devo tudo ao Aves, mas quase. Pessoas espectaculares, as de lá. Não só diziam que me queriam ajudar, como efectivamente o fizeram. O Eduardo Luís era um grande treinador”, sublinha ainda, tendo igualmente ficado impressionado com o professor Neca na sua segunda experiência pela Vila das Aves, após duas épocas de interregno. “Um técnico tacticamente perspicaz. Os jogadores não eram tão dotados, mas a subida quase foi uma realidade. Perdemos na derradeira jornada, nos Açores, da maneira que todos sabem. Fecharam a ilha. Ninguém saía de lá se o Santa Clara não subisse”, conclui.

Varzim: 1997/98
Emprestado pelo Boavista a um Varzim recém-promovido, a entrada de Ricardo Nascimento no grupo poveiro começou logo com o pé esquerdo. “O técnico Horácio Gonçalves disse-me logo que eu tinha mais possibilidades de jogar no Boavista do que no Varzim (risos). A partir daí, se calhar também tive comentários infelizes para com ele”, confessa. A época foi difícil, mas o médio ainda tomou parte em 28 jogos. Os problemas que se fizeram sentir na recta final da temporada redundaram na descida de divisão. Mais um capítulo para esquecer.

Gil Vicente: 1999/2000 e 2001/02
Falar do Gil Vicente, na primeira passagem por Barcelos, leva Ricardo Nascimento a deixar transparecer o seu entusiasmo. “A melhor equipa que integrei e o melhor treinador que conheci a nível técnico e táctico”. Está a falar de Álvaro Magalhães, que caracteriza sem rodeios: “Fortíssimo. Consegue tirar coisas muito boas dos jogadores. Ficámos em quinto lugar, mas isso não deu acesso à Europa”. Durante o ano, apesar de ter cortado o cordão umbilical com o Boavista, voltou a viver uma controvérsia em tom axadrezado: “Havia uma cláusula no acordo de transferência. Se o Gil Vicente me utilizasse contra o Boavista, teria de pagar 25 mil contos. Mais uma vez o meu nome foi envolvido em confusões, quando me tinham garantido que esse artigo não seria accionado”. Regressou ao clube de Barcelos após a experiência gaulesa, mas desta vez para ter galo. “Fui apanhado naquela fase da minha vida por uma pessoas que não me compreendia e maneira nenhuma. Estou a falar do professor Luís Campos. Até deturpou gravemente a minha imagem. Prejudicou-me muito. De certeza absoluta que ele não diz que sou um mau jogador, mas disse que eu era mau homem. Não me parece que seja por aí. O futuro vai dar-me razão”, afirma com semblante carregado.

Montpellier: 2000/01
Podia ter sido um ponto de viragem na carreira de Ricardo Nascimento. “Fizeram uma manchete em Record a dizer que eu ia para o Sporting”, lembra. Pouco antes, tinha arranjado empresário por sugestão de pessoas amigas. Ligou-se a Manuel Barbosa. “Estou grato por tudo o que fez por mim. Não cuspo no prato em que comi. Mesmo assim, sinto que, com outro empresário, podia ter mudado para um grande”. O facto é que Ricardo Nascimento acabou por se transferir para o Montpellier, que apostava na subida ao escalão principal do futebol francês, seduzido por “um excelente contrato”. A sorte é que não o acompanhou. “Tive cinco lesões de ossos. Foi inacreditável!”, exclama. Acompanhado por Rui Pataca, ao qual tece rasgados elogios como jogador e pessoa, usava o nome “Rixa” nas costas, a alcunha pelo qual é conhecido entre os familiares e amigos com os quais começou a jogar à bola. Após o Natal, e a recuperação de mais um problema, chegou a França determinado a triunfar. Até que, em jogo da Taça de França, tudo se desmoronou: “Um bacano da equipa com quem fomos jogar fez-me uma entrada violenta. O Rui Pataca até andou ao estalo com ele para me defender. O facto é que fiquei três meses com umas talas. Ainda fiz mais dois ou três jogos, o presidente veio pedir-me para ficar, dado que subimos de divisão com tranquilidade, mas fiquei mal impressionado com o futebol agressivo que por lá se praticava e preferi regressar”.

Sp. Braga: 2001/02
Em Braga, Ricardo Nascimento esperava encontrar um refúgio após os problemas que o marcaram no Gil Vicente. Os primeiros tempos, como se adivinhava, foram difíceis. “Quase nem tive tempo de ir ao balneário dos jogadores e Manuel Cajuda, um técnico com um feitio especial, já me estava a chamar, dizendo que eu era complicado, mas que me ia analisar. No grupo, encontrei jogadores catedráticos, como o Barroso, Zé Nuno, Idalécio ou até o Quim. Eles começaram a olhar para mim de lado, se calhar a pensar no que tinham ouvido. Quase nem falavam comigo. Foram momentos complicados, e tive de ser muito forte psicologicamente. Passado algum tempo, Cajuda chamou-me novamente. Em frente à restante equipa técnica, disse que me dava os parabéns pelo meu comportamento. Deixou-me imensamente feliz, porque algumas pessoas julgam que me conhecem só porque privam comigo um mês ou dois. São uns parvos”.
O problema foi quando se aproximou o final da temporada e o Sp. Braga não exerceu a opção de compra que tinha sobre o seu passe. “O presidente deu-me uma explicação à qual nem liguei, porque pode ser um bom gestor, mas não percebe nada de futebol”, refere Ricardo Nascimento, que pensava ter saída profissional garantida: “Manuel Cajuda tinha-me chamado um dia e dito que estava a pensar mudar de ares, mas que me queria levar para onde fosse, desde que eu estivesse livre de compromissos. Ele ingressou na União de Leiria e, até hoje, nunca mais me disse nada. Foi uma situação muito esquisita…”

Salgueiros e Maia: 2002/03 e 2003/04
Tendo deixado o Sp. Braga, e sem novas de Manuel Cajuda, Ricardo Nascimento acabou por receber várias propostas. Uma delas, a do Salgueiros, oferecia-lhe três anos de contrato. Finalmente, a estabilidade parecia possível. Mesmo na Liga de Honra, havia perspectivas de subida de divisão. Uma miragem. “Tinha 28 anos e ia para um clube do qual gosto muito, dado ter família que é salgueirista ferrenha”, revela, lamentando: “Fui cheio de esperança e levei mesmo na tromba”. Problemas de toda a ordem, nomeadamente financeiros, tornaram a temporada um tormento, tornando a SuperLiga inalcançável. “Tinha de sair”, frisa Ricardo, que recorda uma entrevista do presidente do Leixões mostrando orgulho no seu eventual regresso. Não se concretizou. “Para espanto meu, tive diversos convites, mas optei por ficar perto de casa, no Maia. O ambiente era desastroso. Os jogadores passavam por grandes dificuldades, quase a roçar a desumanidade. As nossas reuniões eram praticamente semanais, até que decidimos jogar para nós, mesmo sem receber. O plantel tinha qualidade e existem ali cinco jogadores que vão singrar, especialmente um, o Paulo Jorge, que se tiver juízo vai chegar longe”, assevera o médio.

Rio Ave: 2004/05
Actualmente, Ricardo Nascimento brilha com a camisola do Rio Ave. Recebe elogios, dá entrevistas. Mas sente que podia perfeitamente andar aos caídos pela Liga de Honra, e agradece a quem lhe deu a mão. “Tenho consciência que, se não fosse Carlos Brito a lembrar-se de mim, dificilmente estaria agora a jogar na SuperLiga. Recebi um telefonema um minuto antes de começar a final da Liga dos Campeões, em Gelsenkirchen, com um senhor a perguntar-me se estaria interessado em mudar-me para Vila do Conde. Disse que sim, voltou a ligar-me ao intervalo. No dia seguinte, a reunião com o presidente Carlos Costa demorou dez minutos”, refere, ainda assim tempo suficiente para ser estabelecida a original cláusula que Record revelou, e que lhe pode valer um prémio no final da época: “Estou muito contente por ter feito esse contrato. Diz lá que o presidente e o jogador vão entrar em diálogo no sentido de avaliar o meu comportamento perante o grupo, e não se jogo ou deixo de jogar. É uma forma gira de me incentivar, embora eu já soubesse que ia ganhar esse dinheiro”, sublinha, imaginando desde já os euros na sua conta bancária, apesar de ainda faltar meio ano para ser encerrada a SuperLiga.
Por Carlos Brito, o respeito de Ricardo Nascimento é profundo. Sabe que o técnico recebeu muitos telefonemas a tentar demovê-lo de o contratar, mas que manteve a sua confiança no jogador inabalável. “O mister Carlos Brito fez por mim uma coisa que nunca ninguém tinha feito. Afirmou publicamente que o comportamento do Ricardo Nascimento é exemplar. Têm ideia do que isso significa para mim? Muito, mesmo muito. Nunca ninguém o tinha feito ao longo da minha carreira..”

Escola azul e branca com bandeira e tudo
Ricardo Nascimento aprendeu a jogar futebol na rua. Na antiga beira-rio, agora transformada na pomposa marginal de Vila Nova de Gaia. “Jogávamos a dois e quinhentos e estive várias vezes para morrer atropelado a correr atrás da bola”, recorda. Mudou-se para Avintes, depois para o Canidelo, onde foi com os amigos aos treinos de captação. “Ao fim de cinco minutos, já queriam que lá ficasse”, diz entre risos. O facto é que, na semana seguinte, levaram-no a treinar nas escolinhas do FC Porto. Conheceu logo a primeira grande peripécia do seu historial de futebolista. Estava a treinar no pelado da Constituição e o treinador, “o senhor Álvaro”, deixou-o espantado. “Anda cá. Vamos num instante a Paços de Ferreira fazer um jogo e vimos embora”, disse-lhe. O pequeno Ricardo ficou espantado, mas ainda se lembra de ter marcado o quarto golo, e também do bolo levado por um jogador que fazia anos. “Fui jogar com miúdos que não conhecia de lado nenhum”, lembra o, na altura, já talentoso médio. Continuou de azul e branco vestido até 1987, dando sequência à adoração que tinha pela equipa portista e pelo bi-bota Fernando Gomes. Pela mão do seu pai, não perdia um jogo nas Antas, fazendo-se sempre acompanhar de “uma bandeira de dois metros”.


Foi internacional sub-20 no desastre australiano
Com tanto protagonismo na fase de formação, era natural que Ricardo Nascimento acabasse por representar as selecções jovens. “O meu percurso começou tarde”, lamenta somente. Tal como quase sempre na sua carreira, lá se meteu em mais uma embrulhada ao integrar a selecção de sub-20 que falhou rotundamente no Mundial da Austrália, em 1993. “A equipa não estava preparada para aquela competição, naquele clima. Fomos cinco ou seis dias antes, e recordo que acordávamos às cinco da manhã de lá, completamente desorientados. Ainda por cima perdemos o primeiro jogo no último minuto, contra a Alemanha. Foi o pior que nos podia ter acontecido”.
De qualquer forma, Ricardo defende a honra de uma formação que ficou lembrada pelo choque que causou o seu fracasso após os triunfos da geração dourada: “Custa-me que se ponha em causa o valor dos jogadores que lá estiveram, e que tinham sido vice-campeões da Europa, contra a Turquia, na primeira vez em que vigorou a morte súbita. Depois, ainda fomos ao Torneio de Toulon, onde vencemos os campeões do Mundo, o Brasil. Deu para limpar um pouco a nossa imagem…”

LIVRES E DIRECTAS
RIO AVE
“A mentalidade do Rio Ave é excelente. Na Luz, o técnico deu-nos uma enorme força ao intervalo, dizendo-nos que, a jogar como estávamos, conseguiríamos dar a volta ao resultado. Tenho a noção de que sou um jogador importante, mas os meus colegas também sabem jogar a bola. Nunca conseguiria, eu sozinho, levar o Rio Ave a fazer uma época como a que está a realizar. Prezo muito, especialmente, o trabalho que fazem o Mozer e o Delson a meio-campo. Sem eles a minha tarefa seria muito mais complicada. A partir daí, tento sempre passar a bola para a frente. Verticalizar o jogo? Sim, acho que agora se diz assim…”

FAMÍLIA
“Casei aos 25 anos com a minha namorada de sempre, a Elisabete. Tem nome de rainha. Foi uma pessoa que esteve sempre do meu lado, e vai ser para sempre a minha mulher. Deu-me a felicidade de ter dois filhos lindíssimos: o Diogo (4 anos) e o Gonçalo (2 anos). Sou um privilegiado da sociedade e tenho a sorte de ter gravado em filme os principais momentos da sua vida. Graças a Deus têm saúde, mas são uns traquinas”.

CARTÕES AMARELOS
“Um árbitro vê um jogador levar uma cotovelada. As leis são claras: é agressão, dá expulsão. Por que razão insistem em dar cartão amarelo? Faz-me confusão. Por ter uma boa relação com os árbitros, por vezes protesto com eles como faria com um amigo, e dão-me cartões amarelos. Posso é orgulhar-me de nunca ter insultado nenhum. Nem quando me viram as costas. Faz parte da minha educação”.

NÚMERO 10
“Quem é o melhor da SuperLiga? Sou suspeito para falar disso. É a minha posição. É difícil. Com as minhas características, há poucos. O Jorginho é mais um jogador de fazer dois ou três piques fantásticos. Eu utilizo mais a inteligência do que a velocidade. O Diego também se baseia mais no repentismo. O Léo Lima, do Marítimo, esse sim, já é mais aproximado às minhas características. Um grande jogador”.

TREINADOR
“Se me vejo como treinador? Sinceramente, vejo. Se calhar não no panorama actual do futebol português, mas penso que tenho umas ideias que podiam resultar. Ainda não comecei a tirar o curso, mas já comecei a falar disso e vou avançar. O que eu garanto é que uma equipa minha nunca irá jogar para não perder”.

QUINAS
“É uma utopia ir à Selecção neste momento. Só com alguém muito aberto a novas experiências. Gostava era um dia de privar, nem que fosse por cinco minutos, com o senhor Scolari. Acho que ele deve ser espectacular. Se prefiro o Ricardo ou o Vítor Baía? Sobre isso tenho uma opinião muito pessoal: punha lá os dois!”

Cor(r)eia de transmissão

Um espaço para que ninguém se esqueça dos feitos do mítico Ricardo Nascimento, o fantasista rebelde para cuja grandeza o futebol português sempre foi demasiado pequeno. Mesmo longe, na Coreia do Sul, ao serviço do FC Seoul, continua próximo de todos que o reconhecem como um dos grandes talentos da história do futebol português. Para além do valor acrescentado que serão as palavras do craque na primeira pessoa, o "Ricardo Nascimento 10" pretende incorporar o espírito da secção "Cor(r)eia de transmissão" do Blogue do Rio Ave, que podem recordar ou conhecer por esta via.